Primeiramente, devemos saber que o criador do jogo comunicacional era um linguísta russo que foi o fundador da abordagem estruturalista da linguagem. isto indica que ele se baseou na línguagem no uso e não como um organismo estático e imutável. Dele surge a concepção de que a língua para ser bem usada basta que haja alguém (emissor) que diga uma coisa (mensagem) para outra pessoa (receptor), independente de como isso irá se ralizar.(ou seja independente do código e do canal).
Assim, os novos pressupostos gramaticais visam a comunicabilidade entre os agentes, dando um status inferior à lingua (se padrão ou popular).
assim sendo, teremos seis componente no jogo comunicaional:
o emissor: é aqule q se vale de um código e de um canal para emitir sua mensagem ao receptor.
o receptor: é aquele que de posse do código utilizado pelo emissor, interpreta e atribui significado à mensagem.
o contexo: é o assunto de que se trata a mensagem.
código: é a linguagem utilizada pelo emissor e decodificada pelo receptor.
canal: é o meio físico em que a mensagem sai do receptor e chega ao receptor;
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
prova 7 lucia barros. Oque é desinência verbal?
pois é gente, lembre-se sempre que, como o nome diz, a desinência verbal irá sempre modificar o verbo, classe de palavra que varia em pessoa, tempo, modo e voz. mas para a prova tenha em mente que a desinência muda a pessoa e o tempo.
Vejamos:
"Adormec-i sozinho"
a desinênica /i/ indica que o discuros esta pautado na primeira pessoa do singular e no tempo pretérito.
"pixa-re-i o muro do vizinho"
Agora note que a desinência /i/ que marca a primeira pessoa do singular vem acompanhado da desinência temporal /re/ que marca uma ação que se realizará no futuro.
"Come-mos, bebe-mos, caí-mos na farra"
Veja agora a desinência /mos/ marcando o discurso na preimeira pessoa dos plural e no tempo pretérito.
"ama-va-m como adolescente"
como última exemplificação, veja como a desinência /m/ marca a terceira pessoa do plural, já a desinência temporal /va/ marca o tempo passado ou pretérito.
Professor Francisco Muriel
ESTUDEM!!!
Vejamos:
"Adormec-i sozinho"
a desinênica /i/ indica que o discuros esta pautado na primeira pessoa do singular e no tempo pretérito.
"pixa-re-i o muro do vizinho"
Agora note que a desinência /i/ que marca a primeira pessoa do singular vem acompanhado da desinência temporal /re/ que marca uma ação que se realizará no futuro.
"Come-mos, bebe-mos, caí-mos na farra"
Veja agora a desinência /mos/ marcando o discurso na preimeira pessoa dos plural e no tempo pretérito.
"ama-va-m como adolescente"
como última exemplificação, veja como a desinência /m/ marca a terceira pessoa do plural, já a desinência temporal /va/ marca o tempo passado ou pretérito.
Professor Francisco Muriel
ESTUDEM!!!
prova 7 lucia barros Quais competências desenvolvemos ao estudar a disciplina de língua portuguesa?
segundo Travaglia, em sua Gramática e Interação, fazendo uma abordagem comunicativa da língua, os nativos falantes do português (ou seja nós) devemos frequentar as aulas da disciplina de língua portuguesa para desenvolvermos três competências:
Comunicativa (nos comunicar em diversas situações sociais)
Gramatical (sobretudo a variante escrita e culta);
Textual (sendo capaz de produzirmos texto bem produzidos, reconhecer se um texto está bem produzido (ou coeso), e identificarmos o gênero que o texto pertence. além de nos habilitar a transformar texto, parodiando-os, reseumindo-os e transgredindo-os de um gênero e outro).
Professor Francisco Muriel
Estudem!!!!
Comunicativa (nos comunicar em diversas situações sociais)
Gramatical (sobretudo a variante escrita e culta);
Textual (sendo capaz de produzirmos texto bem produzidos, reconhecer se um texto está bem produzido (ou coeso), e identificarmos o gênero que o texto pertence. além de nos habilitar a transformar texto, parodiando-os, reseumindo-os e transgredindo-os de um gênero e outro).
Professor Francisco Muriel
Estudem!!!!
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Anotações de aula. Disciplina: Estilística: Funções da linguagem
Função Emotiva ou Expressiva:
O emissor procura expressar o seu mundo emocional. É marcado por verbos e pronomes em primeira pessoa e por interjeições:
Exemplos: EU sem você/ não tenho porquê,/ porque sem você/ não Sei nem chora.
OH!!! MEU amor,/ não partas assim Meu coração!
Função Conativa ou Apelativa:
O emissor procura influenciar o receptor. Recorre aos verbos no imperativo e aos vocativos.
Exemplos: BEBA coca-cola!
COMPRE batom!
Função Referencial ou Denotativa:
O emissor procura transmitir uma realidade de maneira clara, sem dupla interpretação. Linguagem objetiva e centrada no conteúdo.
Exemplos: Trigo argentino chega às indústrias mais barato do que o nacional.
Baixinho marca milésimo gol em clássico.
Função Metalingüística:
O emissor usa o próprio código para defini-lo ou classificá-lo.
Exemplos: Curitiba: nome da capital do Estado Paraná. Vem de curi=pinheiro + tyba= muito grande, grande quantidade.
O nome Leila procede do árabe “Laila” que significa “negra como a noite”.
Função Fática:
O emissor tem com objetivo estabelecer, prolongar ou interromper um ato comunicativo.
Exemplo: _Oi! Você por aqui?
_ É,...é, e você? Como vai?
_ eu, ..., bem, e você?
_ Alô! Alô! Tem alguém na linha?
Função Poética:
O emissor coloca em evidência o modo como é apresentada a mensagem. O emissor procura despertara a atenção do receptor, por meio de arranjos, escolha vocabular, rimas, ritmos, metáfora, aliterações e recursos visuais.
Exemplos: era um homem bem vestido,
Foi beber no botequim
Bebeu muito, bebeu tanto
Que s i
a u e m
d á i
l s s
a
Produzido por: Francisco Muriel
O emissor procura expressar o seu mundo emocional. É marcado por verbos e pronomes em primeira pessoa e por interjeições:
Exemplos: EU sem você/ não tenho porquê,/ porque sem você/ não Sei nem chora.
OH!!! MEU amor,/ não partas assim Meu coração!
Função Conativa ou Apelativa:
O emissor procura influenciar o receptor. Recorre aos verbos no imperativo e aos vocativos.
Exemplos: BEBA coca-cola!
COMPRE batom!
Função Referencial ou Denotativa:
O emissor procura transmitir uma realidade de maneira clara, sem dupla interpretação. Linguagem objetiva e centrada no conteúdo.
Exemplos: Trigo argentino chega às indústrias mais barato do que o nacional.
Baixinho marca milésimo gol em clássico.
Função Metalingüística:
O emissor usa o próprio código para defini-lo ou classificá-lo.
Exemplos: Curitiba: nome da capital do Estado Paraná. Vem de curi=pinheiro + tyba= muito grande, grande quantidade.
O nome Leila procede do árabe “Laila” que significa “negra como a noite”.
Função Fática:
O emissor tem com objetivo estabelecer, prolongar ou interromper um ato comunicativo.
Exemplo: _Oi! Você por aqui?
_ É,...é, e você? Como vai?
_ eu, ..., bem, e você?
_ Alô! Alô! Tem alguém na linha?
Função Poética:
O emissor coloca em evidência o modo como é apresentada a mensagem. O emissor procura despertara a atenção do receptor, por meio de arranjos, escolha vocabular, rimas, ritmos, metáfora, aliterações e recursos visuais.
Exemplos: era um homem bem vestido,
Foi beber no botequim
Bebeu muito, bebeu tanto
Que s i
a u e m
d á i
l s s
a
Produzido por: Francisco Muriel
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Sístole e Diástole
Essa semana, ao acompanhar um grupo de Folia de Reis na cidade de londrina, deparei-me com um recurso que o embaixador (mestre) utilizou para transferir a tonacidade da paroxítona BEN-ção transformando-a em oxítona ben-ÇÂO. Dispensei de algum tempo de pesquisa para redescobrir o nome desse fenômeno do ponto de vista da estilística e dos metaplasmos.
Assim sendo, cheguei à sístole, que é o recuo do acento tônico:
Exemplos: pan-TÁ-no > PÂN-ta-no
E diástole: O avanço do acento tônico:
Exemplo: JÚ-di-ce < ju-ÍZ
GÉ-mi-to < ge-MI-do
Para mais consulte:
QUADROS. Jãnio. Curso Prático de língua portuguesa e sua literatura: Gramática Histórica. São Paulo: Forma, 1966.
Assim sendo, cheguei à sístole, que é o recuo do acento tônico:
Exemplos: pan-TÁ-no > PÂN-ta-no
E diástole: O avanço do acento tônico:
Exemplo: JÚ-di-ce < ju-ÍZ
GÉ-mi-to < ge-MI-do
Para mais consulte:
QUADROS. Jãnio. Curso Prático de língua portuguesa e sua literatura: Gramática Histórica. São Paulo: Forma, 1966.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Análise do livro: Sombras de Reis Barbudos de J. J. Veiga
A Relação entre protagonista e o espaço
Considerando que o protagonista seja:
“a personagem principal de uma peça de teatro, livro, filme, etc..” (minidicionário Houaiss da língua Portuguesa).
Então, encontrar-no-emos diante de uma difícil tarefa, que é definirmos esse protagonista em uma obra de “realismo fantástico”. Especificamente, no caso de “Sombras de Reis Barbudos”, oscila-se entre dar esse título ao narrador que relata, através de flash-back, os acontecimentos que se ocorreram em Taitara desde a chegada da “Companhia de Melhoramentos”, ou considerar como a personagem principal, a própria “Companhia”, que transforma, a vida de todos as famílias e cidadãos de Taitara, inclusive a de Lu, garoto de doze ou treze anos que, na tentativa de compreender o que se passou, reconstruindo em tom memorialista, narra os fatos ocorridos desde de a chegada da Companhia.
Para-se aqui, para lembrar o movimento literário ocorrido no século anterior que se assimilava, em algumas características, a esse novo tipo de realismo. A ele, damos o nome de Realimo-Naturalismo, e em algumas obras desse estilo, o protagonista são coisas abstratas como instituições (seminários, colégios) ou simples espaços (Minas de Carvão, Favelas, cidadelas). Assim, considera-se aqui, a possibilidade de a Companhia ser sim a personagem protagonista da obra.
Contudo, nossa análise verá como protagonista o jovem Lu, narrador que participa passivamente da história, sofrendo com as normas e proibições da Companhia.
Resolvido a problematização do protagonista podemos passar a tratar do espaço. Para esse intento, há mister fazer uma análise sobre o autor e os ambientes de suas obras assim como de obras fundamentais do Realismo Fantástico.
Os ambientes de obras desse Realismo Fantástico são reproduções de ambientes cotidianos e corriqueiro (é o que vê-se a cidadela de “A Metamorfose” ou a cidade mais urbanizada de “O Processo” ambas de Kafka) , que faz com que os leitor o reconheçam. Mas eles vêm ausente de uma concisão geográfica, ou seja, não está no lado da linha do real(aqui os contos fabulares servem de ótimo exemplo, por indeterminar o lugar e o tempo. Ex: Era uma vez (...) em um bosque distante), já que estes tipos de narrativa vão a todo momento irromper a barreira do real e do imaginário. Isso faz com que o regional se torne universal e o individual, coletivo.
Cai-se, assim, na análise de como J.J. Veiga trata seus ambientes, fugindo da linha Regionalista tradicional, para adentrar ao Regionalismo fantástico, voltando-se para terra, revivendo aspectos regionais de Goiás, embora não claramente explícito, mas com um texto marcado com traços regionais: fixação de tipos; costumes e linguagens locais. Então o autor consegue, quase num processo surrealístico, que a paisagem rural (Goiânia) ou de pequena cidade, torne-se como tantos lugares no brasil ou no mundo. Veiga foge ao processo do regionalismo padrão, ou ortodoxo, por processos de construções inventivas, com temas contemporâneos, tratados num universo que pode estar em qualquer tempo e em qualquer lugar, mas sempre pequeno.
Em Sombras de Reis Barbudos, Veiga tece um ambiente típico de suas narrativas, uma cidadela que vive em aparente calma, até que a chegada da Companhia que primeiro causa esperança e depois medo e repressão. O protagonista participa dos fatos narrados, fatos que não são explicados, apenas registram-se como em um pesadelo. É dessa forma que o protagonista se relaciona com seu espaço (a cidade de Tatiara) registrando não só ocorrera com a sua família, mas com toda a sua comunidade.
Além de o garoto Lu ser o narrador dos acontecimentos, pode-se considerá-lo como o representante dessa cidade, que assim como ele sofre com as normas surreais da Companhia, passa a indagar sobre o destino do homem oprimido por violência de diferentes tipos de poder, expondo também o conflito entre o novo e o antigo, o rural e o urbano e como esse conflito se torna resultado de uma invasão do progresso, tornando-se símbolo do mundo contemporâneo.
Sua relação com os demais da cidade rompe-se no momento em que todos passam a voar, ou imaginar que voam, e fogem da cidade, postura não tomada por Lu. Ou seja, ele não abandona sua cidade, mas triste com as casas abandonadas, começa a escrever.
Uma última relação que poderíamos fazer entre o protagonista e o espaço, seria no quisito universalizador que tanto o protagonista quanto o espaço, carregam consigo. Ser criança e passar, daí, a homem, responsável pela mãe. Morar em uma cidadela, ser desprezado por amigos, e muitas outras características universalizam o protagonista. O mesmo ocorre com o espaço que antes fora uma cidade calma e tranqüila e que pela perda desse equilíbrio se tornou deserta e vazia, com suas ruas cobertas com capim e abandonada ao tempo.
A Função do Narrador na Elaboração das Potencialidades significativas do Romance.
Como já visto em tópicos anteriores, em Sombras de Reis Barbudos, os fatos são narrados em primeira pessoa, isto é, o personagem principal – protagonista – conta a sua história, revelando, do seu ponto de vista, os acontecidos. Há um grande envolvimento do eu, como alguém que viveu esses fatos. Este menino-narrador chama-se Lu, que passa pelos episódios da história se perguntando o que está acontecendo, como se fosse uma história realista e psicológica.
Assim como vários personagens e personagens-narradores do realismo fantástico, o menino Lu mostrará-se paciente e não agente. Basta lembrar do pobre Gregor Samsa de “A Metamorfose” que sem mais, sem menos, sem saber se um castigo de Deuses ou se Imprudência dos deuses, acorda transformado em um Inseto. “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou(...) encontrou-se em sua cama metamorfoseado...”. Ou ainda quando Joseph K.- protagonista de “O Processo”, também de Franz Kafka – é acordado por dois funcionários da justiça que lhe comunicam que está preso, sem esclarecer-lhes o motivo. Esse sujeito paciente sofre as conseqüências de uma fatalidade, possuindo, assim, a tipicidade de um herói trágico – salvo por se tratar de um herói popular (mimese inferior) enquanto na tragédia clássica predomina o herói de família nobre ou descendente dos deuses (mimese superior) - pois é vítima do destino, que o submete a degradação, sem que tenha culpa alguma.
É dessa forma que J.J. Veiga, usará o jovem Lu nas potencialidades significativas desse romance, porque dá a ele a responsabilidade de refletir sobre os valores e sobre as emoções humana, se mostrando em defesa do maior significado do existir humano: a liberdade. A medida em que Lu escreve, a pedido da mãe, a história da cidade, afasta-se da realidade que se confunde com uma reprodução do existente e traça uma procura da verdade humana, indagando sobre o destino do homem oprimido por violência de diferentes tipos de poder.
Enumeramos uma primeira função desse narrador, que é simbolizar um conflito que se instaura, após um estranhamento, entre dois ambientes ou duas culturas, bipolarizando o esse conflito entre: urbano x rural; nacionais x universais; racional x psicológico. No caso da significação da obra, esse conflito pode ser entendido como os avanços técnicos que são percebidos como estranho e misterioso. Surge o absurdo, como os muros, os urubus, as proibições, ou até mesmo a vontade de voar e ser livre, submergir aos muros das proibições que pode ser lida como a burocracia da Instituições que rege o mundo moderno. Desse conflito faz parte uma temática de rejeição da modernização tecnológica acompanhada de uma forma administrativa desagregadora da estrutura coletiva e familiar. Modalidades diversas de normas e fiscalizações saltam do espaço de empresa ou fábrica, para burocratizar a vida habitual dos cidadãos. Sem dúvida, essa ficção é uma figura do embate sofrido pelos povos subdesenvolvido frente à tecnologia industrial massificante.
Uma Segunda função significativa para o nosso narrador seria o do ser que é sujeito a punições diante a uma sociedade burocrática. Ou como disse Michel Foucault, “um poder de punir correria ao longo de toda a rede social, agindo em cada um de seus pontos(...) a punição generalizada(...) se organiza pelo próprio poder “.
Para finalizar analisaremos o narrador Lu, ao contrários dos heróis Kafkiano - que cedem ao sistema agonizando em seu fim de existência - como símbolo de resistência às normas de um mundo burocratizado. É o que se vê em Sombras de Reis Barbudos quando o menino-homem Lu, diferente dos demais cidadão que saem voando (se Libertam), insiste em permanecer na cidade, cultivando uma horta para sobrevivência sua e de sua mãe. Ao “terminar” da história vemos Lu negociando um novo emprego com entregador, mesmo sabendo que não haverá entrega pois todos saíram voando da cidade. Fica-nos a lição da esperança que se perdura mesmo diante do impossível, e o acreditar que tudo se restabelecerá como no início, quando a Companhia ainda não chegara.
Elaborado por Francisco Muriel. (análise apresentada à discplina de LIteratura Brasileira III, no curso de linceitura em Letras Vernáculas e Clássicas da Uel-Londrina)
Considerando que o protagonista seja:
“a personagem principal de uma peça de teatro, livro, filme, etc..” (minidicionário Houaiss da língua Portuguesa).
Então, encontrar-no-emos diante de uma difícil tarefa, que é definirmos esse protagonista em uma obra de “realismo fantástico”. Especificamente, no caso de “Sombras de Reis Barbudos”, oscila-se entre dar esse título ao narrador que relata, através de flash-back, os acontecimentos que se ocorreram em Taitara desde a chegada da “Companhia de Melhoramentos”, ou considerar como a personagem principal, a própria “Companhia”, que transforma, a vida de todos as famílias e cidadãos de Taitara, inclusive a de Lu, garoto de doze ou treze anos que, na tentativa de compreender o que se passou, reconstruindo em tom memorialista, narra os fatos ocorridos desde de a chegada da Companhia.
Para-se aqui, para lembrar o movimento literário ocorrido no século anterior que se assimilava, em algumas características, a esse novo tipo de realismo. A ele, damos o nome de Realimo-Naturalismo, e em algumas obras desse estilo, o protagonista são coisas abstratas como instituições (seminários, colégios) ou simples espaços (Minas de Carvão, Favelas, cidadelas). Assim, considera-se aqui, a possibilidade de a Companhia ser sim a personagem protagonista da obra.
Contudo, nossa análise verá como protagonista o jovem Lu, narrador que participa passivamente da história, sofrendo com as normas e proibições da Companhia.
Resolvido a problematização do protagonista podemos passar a tratar do espaço. Para esse intento, há mister fazer uma análise sobre o autor e os ambientes de suas obras assim como de obras fundamentais do Realismo Fantástico.
Os ambientes de obras desse Realismo Fantástico são reproduções de ambientes cotidianos e corriqueiro (é o que vê-se a cidadela de “A Metamorfose” ou a cidade mais urbanizada de “O Processo” ambas de Kafka) , que faz com que os leitor o reconheçam. Mas eles vêm ausente de uma concisão geográfica, ou seja, não está no lado da linha do real(aqui os contos fabulares servem de ótimo exemplo, por indeterminar o lugar e o tempo. Ex: Era uma vez (...) em um bosque distante), já que estes tipos de narrativa vão a todo momento irromper a barreira do real e do imaginário. Isso faz com que o regional se torne universal e o individual, coletivo.
Cai-se, assim, na análise de como J.J. Veiga trata seus ambientes, fugindo da linha Regionalista tradicional, para adentrar ao Regionalismo fantástico, voltando-se para terra, revivendo aspectos regionais de Goiás, embora não claramente explícito, mas com um texto marcado com traços regionais: fixação de tipos; costumes e linguagens locais. Então o autor consegue, quase num processo surrealístico, que a paisagem rural (Goiânia) ou de pequena cidade, torne-se como tantos lugares no brasil ou no mundo. Veiga foge ao processo do regionalismo padrão, ou ortodoxo, por processos de construções inventivas, com temas contemporâneos, tratados num universo que pode estar em qualquer tempo e em qualquer lugar, mas sempre pequeno.
Em Sombras de Reis Barbudos, Veiga tece um ambiente típico de suas narrativas, uma cidadela que vive em aparente calma, até que a chegada da Companhia que primeiro causa esperança e depois medo e repressão. O protagonista participa dos fatos narrados, fatos que não são explicados, apenas registram-se como em um pesadelo. É dessa forma que o protagonista se relaciona com seu espaço (a cidade de Tatiara) registrando não só ocorrera com a sua família, mas com toda a sua comunidade.
Além de o garoto Lu ser o narrador dos acontecimentos, pode-se considerá-lo como o representante dessa cidade, que assim como ele sofre com as normas surreais da Companhia, passa a indagar sobre o destino do homem oprimido por violência de diferentes tipos de poder, expondo também o conflito entre o novo e o antigo, o rural e o urbano e como esse conflito se torna resultado de uma invasão do progresso, tornando-se símbolo do mundo contemporâneo.
Sua relação com os demais da cidade rompe-se no momento em que todos passam a voar, ou imaginar que voam, e fogem da cidade, postura não tomada por Lu. Ou seja, ele não abandona sua cidade, mas triste com as casas abandonadas, começa a escrever.
Uma última relação que poderíamos fazer entre o protagonista e o espaço, seria no quisito universalizador que tanto o protagonista quanto o espaço, carregam consigo. Ser criança e passar, daí, a homem, responsável pela mãe. Morar em uma cidadela, ser desprezado por amigos, e muitas outras características universalizam o protagonista. O mesmo ocorre com o espaço que antes fora uma cidade calma e tranqüila e que pela perda desse equilíbrio se tornou deserta e vazia, com suas ruas cobertas com capim e abandonada ao tempo.
A Função do Narrador na Elaboração das Potencialidades significativas do Romance.
Como já visto em tópicos anteriores, em Sombras de Reis Barbudos, os fatos são narrados em primeira pessoa, isto é, o personagem principal – protagonista – conta a sua história, revelando, do seu ponto de vista, os acontecidos. Há um grande envolvimento do eu, como alguém que viveu esses fatos. Este menino-narrador chama-se Lu, que passa pelos episódios da história se perguntando o que está acontecendo, como se fosse uma história realista e psicológica.
Assim como vários personagens e personagens-narradores do realismo fantástico, o menino Lu mostrará-se paciente e não agente. Basta lembrar do pobre Gregor Samsa de “A Metamorfose” que sem mais, sem menos, sem saber se um castigo de Deuses ou se Imprudência dos deuses, acorda transformado em um Inseto. “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou(...) encontrou-se em sua cama metamorfoseado...”. Ou ainda quando Joseph K.- protagonista de “O Processo”, também de Franz Kafka – é acordado por dois funcionários da justiça que lhe comunicam que está preso, sem esclarecer-lhes o motivo. Esse sujeito paciente sofre as conseqüências de uma fatalidade, possuindo, assim, a tipicidade de um herói trágico – salvo por se tratar de um herói popular (mimese inferior) enquanto na tragédia clássica predomina o herói de família nobre ou descendente dos deuses (mimese superior) - pois é vítima do destino, que o submete a degradação, sem que tenha culpa alguma.
É dessa forma que J.J. Veiga, usará o jovem Lu nas potencialidades significativas desse romance, porque dá a ele a responsabilidade de refletir sobre os valores e sobre as emoções humana, se mostrando em defesa do maior significado do existir humano: a liberdade. A medida em que Lu escreve, a pedido da mãe, a história da cidade, afasta-se da realidade que se confunde com uma reprodução do existente e traça uma procura da verdade humana, indagando sobre o destino do homem oprimido por violência de diferentes tipos de poder.
Enumeramos uma primeira função desse narrador, que é simbolizar um conflito que se instaura, após um estranhamento, entre dois ambientes ou duas culturas, bipolarizando o esse conflito entre: urbano x rural; nacionais x universais; racional x psicológico. No caso da significação da obra, esse conflito pode ser entendido como os avanços técnicos que são percebidos como estranho e misterioso. Surge o absurdo, como os muros, os urubus, as proibições, ou até mesmo a vontade de voar e ser livre, submergir aos muros das proibições que pode ser lida como a burocracia da Instituições que rege o mundo moderno. Desse conflito faz parte uma temática de rejeição da modernização tecnológica acompanhada de uma forma administrativa desagregadora da estrutura coletiva e familiar. Modalidades diversas de normas e fiscalizações saltam do espaço de empresa ou fábrica, para burocratizar a vida habitual dos cidadãos. Sem dúvida, essa ficção é uma figura do embate sofrido pelos povos subdesenvolvido frente à tecnologia industrial massificante.
Uma Segunda função significativa para o nosso narrador seria o do ser que é sujeito a punições diante a uma sociedade burocrática. Ou como disse Michel Foucault, “um poder de punir correria ao longo de toda a rede social, agindo em cada um de seus pontos(...) a punição generalizada(...) se organiza pelo próprio poder “.
Para finalizar analisaremos o narrador Lu, ao contrários dos heróis Kafkiano - que cedem ao sistema agonizando em seu fim de existência - como símbolo de resistência às normas de um mundo burocratizado. É o que se vê em Sombras de Reis Barbudos quando o menino-homem Lu, diferente dos demais cidadão que saem voando (se Libertam), insiste em permanecer na cidade, cultivando uma horta para sobrevivência sua e de sua mãe. Ao “terminar” da história vemos Lu negociando um novo emprego com entregador, mesmo sabendo que não haverá entrega pois todos saíram voando da cidade. Fica-nos a lição da esperança que se perdura mesmo diante do impossível, e o acreditar que tudo se restabelecerá como no início, quando a Companhia ainda não chegara.
Elaborado por Francisco Muriel. (análise apresentada à discplina de LIteratura Brasileira III, no curso de linceitura em Letras Vernáculas e Clássicas da Uel-Londrina)
Análise do conto: Aqueles dois (história de aparente mediocridade e repressão) – Caio Fernando Abreu.
Este conto trata da história de dois amigos que trabalham em uma repartição. Os fatos, narrados em terceira pessoa, por um narrador onisciente, são narrados desde quando ambos entraram na empresa, sem se conhecerem e aos poucos os dois vão se aproximando, afinal: “Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra”. Eles passam a troca alguns ásperos, oi!, Bom dia!, e coisas do gênero, sempre apreciados pelos olhares das moças do departamento, que “ficavam nervosas quando eles surgiram, tão altos altivos”, e pelos homens, que “apesar dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum deles tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.”
A relação se materializa, quando em uma manhã, um deles, o de nome Saul, o outro chama-se Raul , chega atrasado à repartição e todos perguntam o motivo, que ele atribui a um filme que ficara assistindo até mais tarde. Ninguém conhecia o filme, exceto Raul. Conversaram, naquele dia, longo tempo. E naquela semana, o assunto passaria de filme para “histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperanças, passados, alguns sonhos, sobretudo queixas.” A mulheres da repartição, afim de enlaçar uma das “almas especiais”, passaram a organizar atividades, “bares, gafieira, discotecas”, mas os dois sempre se enfiava nos cantos e sacadas para conversar. Essa amizade vai aumentando, Saul passa a freqüentar a casa de Raul, e vice-versa, nos finais de semana, e assim o tempo passa até que em um determinado dia a mãe de Raul morre e ele é obrigado a se ausentar por algum tempo. Quando ele volta, “ele precisou passar uma semana fora”, pede a Saul que vá a seu apartamento. Quando Saul chega, encontra Raul sem luto, barba por fazer. Os dois bebem até se embriagarem e, no momento de Saul ir embora, Raul começa a chorar. Os dois se abraçam, os dedos de Saul vão para na Barba de Raul e acontece algo que nenhum deles conseguem descrever. Trocas de juras são feita: “Você tem a mim agora, e para sempre”.
Com a vinda do Natal e as festa de fim de ano, os dois passam a ficar mais juntos ainda. Na noite de révellom, Saul pousou no apartamento de Raul, pediu para dormir nu. Raul disse a ele que sim, pois tinha um belo corpo. Apesar de um deitar no sofá outro na cama, ninguém dormiu a noite.
Quando chega janeiro, os dois planejam as férias juntos, até que um dia o chefe da repartição os chama e diz que está recebendo algumas cartas anônimas. Mensagens como: “Relação anormal e ostensiva, desavergonhada aberração, comportamento doentio, psicologia deformada”. Depois vários argumentos como: “A reputação de nossa firma, tenho que zelar pela moral dos meus funcionários.” Os dois são despedidos. Esvaziam suas mesas se se olharem. A mesa de um ficava do lado da do outro. E quando um abriu a porta do táxi para que o outro entrasse, ouvi um “ai-ai!” que os dois não chegaram a ouvir.
Mas certo é que ninguém conseguiu trabalhar em paz naquela repartição. E foram infelizes por seus feitos.
Mostra-se com esse desfecho o preconceito que a sociedade ainda tem. Nessa obra em específico, vemos a questão do Homossexualismo, um jovem casal que é privado de sua vida profissional, frente a uma sociedade opressora. Mas são diversos os casos de preconceitos na sociedade moderna e contemporânea. Preconceitos raciais, classiais, sexuais, por idade, etc, estão até hoje em nosso meio, para que todos passam ver. Grandes são as campanhas publicitária, e veja hoje já se há até campanhas publicitárias, para acabar com o preconceito. Bonito é a mensagem ou o aviso deixado pelo autor, que deve Ter vivido na pele este tipo de rejeição, no final, dizendo que ninguém pode nem vai ser feliz, após cometer tal ato.
Se formos buscar um relação enter a dois protagonistas com espaço social, os veremos sempre a margem desse espaço. Desde o início o narrador os mostra excluídos. Eles não tinham ninguém naquela cidade – e de certa forma, também em nenhuma outra.” Seus “modos-de-vida” eram muitos diferentes dos demais, ficar em casa, assistir a filmes, e vejamos, até o gosto dos dois são diferente dos demais, os assuntos e como “estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo”. O conflito dessa relação se desestabiliza, creio eu, no momento em que mulheres passaram a desejá-los e homens a invejá-lo. Então o repúdio, a busca por um erro um rabicho, que poderia manchar a imagem dos dois. Assim, devem Ter sido se imaginarmos os rumores dentro da repartição, as piadinhas quando ambos não estavam, até culminar com as cartas mandadas por inveja ou desilusão ao Diretor.
Sobre o tempo neste conto, encontraremos duas formas de passagem: a física e a psicológica. Na forma física, parece que o narrador tem o poder de adiantar ou fixar a um determinado momento, a narração é feita como por FlashBack, assim o narrador fica quase como com um controle remoto nas mãos e sim pode fazer passar um capítulo em câmera-lenta ou adiantar e pular um ou três capítulos. Já um bom exemplo de tempo psicológico seria o abraço entre os dois, quando os dedos de Saul encontram a barba de Raul.
Elaborado por Francisco Muriel. (análise apresentada à discplina de LIteratura Brasileira III, no curso de linceitura em Letras Vernáculas e Clássicas da Uel-Londrina)
A relação se materializa, quando em uma manhã, um deles, o de nome Saul, o outro chama-se Raul , chega atrasado à repartição e todos perguntam o motivo, que ele atribui a um filme que ficara assistindo até mais tarde. Ninguém conhecia o filme, exceto Raul. Conversaram, naquele dia, longo tempo. E naquela semana, o assunto passaria de filme para “histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperanças, passados, alguns sonhos, sobretudo queixas.” A mulheres da repartição, afim de enlaçar uma das “almas especiais”, passaram a organizar atividades, “bares, gafieira, discotecas”, mas os dois sempre se enfiava nos cantos e sacadas para conversar. Essa amizade vai aumentando, Saul passa a freqüentar a casa de Raul, e vice-versa, nos finais de semana, e assim o tempo passa até que em um determinado dia a mãe de Raul morre e ele é obrigado a se ausentar por algum tempo. Quando ele volta, “ele precisou passar uma semana fora”, pede a Saul que vá a seu apartamento. Quando Saul chega, encontra Raul sem luto, barba por fazer. Os dois bebem até se embriagarem e, no momento de Saul ir embora, Raul começa a chorar. Os dois se abraçam, os dedos de Saul vão para na Barba de Raul e acontece algo que nenhum deles conseguem descrever. Trocas de juras são feita: “Você tem a mim agora, e para sempre”.
Com a vinda do Natal e as festa de fim de ano, os dois passam a ficar mais juntos ainda. Na noite de révellom, Saul pousou no apartamento de Raul, pediu para dormir nu. Raul disse a ele que sim, pois tinha um belo corpo. Apesar de um deitar no sofá outro na cama, ninguém dormiu a noite.
Quando chega janeiro, os dois planejam as férias juntos, até que um dia o chefe da repartição os chama e diz que está recebendo algumas cartas anônimas. Mensagens como: “Relação anormal e ostensiva, desavergonhada aberração, comportamento doentio, psicologia deformada”. Depois vários argumentos como: “A reputação de nossa firma, tenho que zelar pela moral dos meus funcionários.” Os dois são despedidos. Esvaziam suas mesas se se olharem. A mesa de um ficava do lado da do outro. E quando um abriu a porta do táxi para que o outro entrasse, ouvi um “ai-ai!” que os dois não chegaram a ouvir.
Mas certo é que ninguém conseguiu trabalhar em paz naquela repartição. E foram infelizes por seus feitos.
Mostra-se com esse desfecho o preconceito que a sociedade ainda tem. Nessa obra em específico, vemos a questão do Homossexualismo, um jovem casal que é privado de sua vida profissional, frente a uma sociedade opressora. Mas são diversos os casos de preconceitos na sociedade moderna e contemporânea. Preconceitos raciais, classiais, sexuais, por idade, etc, estão até hoje em nosso meio, para que todos passam ver. Grandes são as campanhas publicitária, e veja hoje já se há até campanhas publicitárias, para acabar com o preconceito. Bonito é a mensagem ou o aviso deixado pelo autor, que deve Ter vivido na pele este tipo de rejeição, no final, dizendo que ninguém pode nem vai ser feliz, após cometer tal ato.
Se formos buscar um relação enter a dois protagonistas com espaço social, os veremos sempre a margem desse espaço. Desde o início o narrador os mostra excluídos. Eles não tinham ninguém naquela cidade – e de certa forma, também em nenhuma outra.” Seus “modos-de-vida” eram muitos diferentes dos demais, ficar em casa, assistir a filmes, e vejamos, até o gosto dos dois são diferente dos demais, os assuntos e como “estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo”. O conflito dessa relação se desestabiliza, creio eu, no momento em que mulheres passaram a desejá-los e homens a invejá-lo. Então o repúdio, a busca por um erro um rabicho, que poderia manchar a imagem dos dois. Assim, devem Ter sido se imaginarmos os rumores dentro da repartição, as piadinhas quando ambos não estavam, até culminar com as cartas mandadas por inveja ou desilusão ao Diretor.
Sobre o tempo neste conto, encontraremos duas formas de passagem: a física e a psicológica. Na forma física, parece que o narrador tem o poder de adiantar ou fixar a um determinado momento, a narração é feita como por FlashBack, assim o narrador fica quase como com um controle remoto nas mãos e sim pode fazer passar um capítulo em câmera-lenta ou adiantar e pular um ou três capítulos. Já um bom exemplo de tempo psicológico seria o abraço entre os dois, quando os dedos de Saul encontram a barba de Raul.
Elaborado por Francisco Muriel. (análise apresentada à discplina de LIteratura Brasileira III, no curso de linceitura em Letras Vernáculas e Clássicas da Uel-Londrina)
Análise do conto: Antiperipléia – J. G. Rosa.
O Autor
João GUIMARÃES ROSA nasceu em Cordisburgo-MG, em 1908, transferindo-se para Belo Horizonte em 1918, onde cursou Medicina, a partir de 1925. São desta época os primeiros prêmios que conquistou, com alguns contos enviados à revista "O Cruzeiro". Inicia a carreira de médico em 1931 em Itaúna, interior de Minas Gerais, um ano após se casar com Lygia Cabral Pena, com quem teve duas filhas .Dois anos depois entra para a Força Pública, como oficial médico do batalhão sediado em Barbacena, também interior de Minas Gerais, na época da conflagração de 1932.
Inicia a carreira diplomática em 1934, após ter sido aprovado em concurso para o Itamarati. Dois anos depois seu livro de poesias, Magma, ganha o prêmio máximo da ABL Em 1946 GUIMARÃES ROSA publica Sagarana, seu primeiro livro, cujos contos foram escritos dez anos antes e lhe valeram o prêmio Humberto de Campos, da Livraria José Olympio. Trabalha como cônsul-adjunto em Hamburgo, como secretário da embaixada em Bogotá e em Paris e como chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura.
No ano de 1956 GUIMARÃES ROSA publica dois livros: Corpo de Baile e aquela que seria considerada sua obra máxima: Grande Sertão: Veredas. Cinco anos depois a Academia Brasileira de Letras concede-lhe o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, Sagarana é editado em Portugal e a primeira tradução de Corpo de Baile é publicada na França. Um ano antes de ser eleito para a ABL (1963), publica Primeiras Estórias. Quatro anos depois publica Tutaméia e falece três dias depois de tomar posse na ABL. Estas Estórias e Ave, Palavra são publicados postumamente (1969).
Análise do conto: Antiperipléia – J. G. Rosa.
Nesta obra o autor dá continuidade aos experimentos de compactizar Estórias, tornando-as rápidas mais não menos bela. Cada Estória contada capta episódios aparentemente banais. As ocorrências farejadas pelos protagonistas transformam-se em símbolos metamorfozeados de uma espécie de milagre que surge do nada, do que não se vê, como diria o próprio Guimarães Rosa: “Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.” Esses milagres podem ser, então, responsável pela poesia extraída dos fatos mais corriqueiros, pela beleza de pensar no cotidiano e não apenas vivê-lo, pelo amor que pode se pode Ter pelas coisas da terra, pelo homem simples, pelo mistério da vida.
Este conto, o primeiro de Tutaméia (ou Terceiras Estórias), terá como protagonista uma personagem muito interessante, pela sua profissão. Prudenciano é guia de cego. “Patrão meu, não. Eu regia – ele me acompanhava(...) ”. Esta atividade foi muito desempenhada por crianças do sertão que por serem parentes do cego mediante remuneração: “ele me dava cachaças, comidas.” passam toda a infância e parte de sua adolescência a vagar com o seu “regido” de vila em vila: “Aqui paramos, os meses, por causa da mulher....”
Porém, esse guia, desde o começo da história, dialoga com um delegado que pede que saia do Vilarejo por causa da misteriosa morte de seô Tomé, homem que ele guiava. Ele hesita, com medo das acusações que todos fazem.
“E vão me deixar ir? Em dês que o meu cego seô Tomé se passou, me vexam, por mim puxam, desconfiam discorrendo. Terra de injustiça.”
Em seu diálogo com o delegado ele diz que há coisas que todos desconhecem, pois o cego encontrava-se escondido com uma mulher, que não tinha, assim, uma aparência tão formosa: “as coisas começam deveras é por detrás do que há, recurso: quando no remate acontecem, estão já desaparecidas.” E pelo fato do delegado não lhe Ter perguntado nada, diz que vai lhe contar o que se sucedera. Começa narrando o seu relacionamento com seô Tomé, e como ele era desejados pelas mulheres. E o cego, sem ver, pedia para que ele – que ao contrário do cego, era feio e pouco desejado - descrevia a formosura das mulheres que a ele desejavam. Um fato interessante é que ambos (o cego e o guia) se invejavam. O guia, para suprir esta falta bebia: “Bebo, para impor em mim amôres dos outros.” E quando o guia se embriagava, o cego tinha de esperá-lo: “Bebo. Tomo até me apagar, vejo outras coisas. Ele carecia de esperar...”
Em um certo dia eles chegam ao vilarejo e logo essa mulher, a Sa Justa, vai pedir ao guia que descreva ela, que era “muito feia”, como uma mulher formoso para o cego, a mais formosa de todas. Diante de tais descrições, o cego logo se apaixona e passa a encontrar-se, às escondidas, com a mulher. Ela, era casada, contudo seu marido desgostava dela. “O marido desgostava dela, druxo homem, de estrambolias, nem vinha em casa..”. Mas era preciso cautela. Assim a cada novo encontro a mulher pedia ao guia que descrevesse malucas belezas. De observar o quanto a mulher ficava com o guia o cego começou a se inciumar. O marido da mulher, que com o guia bebia e já deveria Ter consciência do caso, a toda hora queria o dinheiro da sacola, que era arrecadado pelo cego. Esmolas.
Até que uma certa noite, o cego cai de um precipício, e todos acham que o guia é culpado. Ele, que se embriagara na noite do incidente diz que: “Seô Tomé, no derradeiro, variava: falando que voltara a enxergar.” Assim ele elenca algumas suposições sobre o autor do crime, se assassinato ou o caso de suicídio, pois se o cego realmente tivesse, realmente, voltado a enxergar, avistaria toda a feiura de Justa, pode Ter se desiludido de tal forma e se jogado. Já no caso de assassinato, o primeiro a ser sugerido seria o esposo, que desgostoso com a traição ou até mesmo para roubar a sacola com as esmolas, empurrara o cego ladeira abaixo. Ainda sugere a própria mulher, após Ter tomado consciência de que o cego voltara a enxergar, o empurrara para não ver o assombro de seus traços. Ele acaba dizendo ao delegado que vai para a cidade somente se for para voltar a guiar cegos.
Elaborado por Francisco Muriel. (análise apresentada à discplina de LIteratura Brasileira III, no curso de linceitura em Letras Vernáculas e Clássicas da Uel-Londrina)
João GUIMARÃES ROSA nasceu em Cordisburgo-MG, em 1908, transferindo-se para Belo Horizonte em 1918, onde cursou Medicina, a partir de 1925. São desta época os primeiros prêmios que conquistou, com alguns contos enviados à revista "O Cruzeiro". Inicia a carreira de médico em 1931 em Itaúna, interior de Minas Gerais, um ano após se casar com Lygia Cabral Pena, com quem teve duas filhas .Dois anos depois entra para a Força Pública, como oficial médico do batalhão sediado em Barbacena, também interior de Minas Gerais, na época da conflagração de 1932.
Inicia a carreira diplomática em 1934, após ter sido aprovado em concurso para o Itamarati. Dois anos depois seu livro de poesias, Magma, ganha o prêmio máximo da ABL Em 1946 GUIMARÃES ROSA publica Sagarana, seu primeiro livro, cujos contos foram escritos dez anos antes e lhe valeram o prêmio Humberto de Campos, da Livraria José Olympio. Trabalha como cônsul-adjunto em Hamburgo, como secretário da embaixada em Bogotá e em Paris e como chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura.
No ano de 1956 GUIMARÃES ROSA publica dois livros: Corpo de Baile e aquela que seria considerada sua obra máxima: Grande Sertão: Veredas. Cinco anos depois a Academia Brasileira de Letras concede-lhe o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, Sagarana é editado em Portugal e a primeira tradução de Corpo de Baile é publicada na França. Um ano antes de ser eleito para a ABL (1963), publica Primeiras Estórias. Quatro anos depois publica Tutaméia e falece três dias depois de tomar posse na ABL. Estas Estórias e Ave, Palavra são publicados postumamente (1969).
Análise do conto: Antiperipléia – J. G. Rosa.
Nesta obra o autor dá continuidade aos experimentos de compactizar Estórias, tornando-as rápidas mais não menos bela. Cada Estória contada capta episódios aparentemente banais. As ocorrências farejadas pelos protagonistas transformam-se em símbolos metamorfozeados de uma espécie de milagre que surge do nada, do que não se vê, como diria o próprio Guimarães Rosa: “Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.” Esses milagres podem ser, então, responsável pela poesia extraída dos fatos mais corriqueiros, pela beleza de pensar no cotidiano e não apenas vivê-lo, pelo amor que pode se pode Ter pelas coisas da terra, pelo homem simples, pelo mistério da vida.
Este conto, o primeiro de Tutaméia (ou Terceiras Estórias), terá como protagonista uma personagem muito interessante, pela sua profissão. Prudenciano é guia de cego. “Patrão meu, não. Eu regia – ele me acompanhava(...) ”. Esta atividade foi muito desempenhada por crianças do sertão que por serem parentes do cego mediante remuneração: “ele me dava cachaças, comidas.” passam toda a infância e parte de sua adolescência a vagar com o seu “regido” de vila em vila: “Aqui paramos, os meses, por causa da mulher....”
Porém, esse guia, desde o começo da história, dialoga com um delegado que pede que saia do Vilarejo por causa da misteriosa morte de seô Tomé, homem que ele guiava. Ele hesita, com medo das acusações que todos fazem.
“E vão me deixar ir? Em dês que o meu cego seô Tomé se passou, me vexam, por mim puxam, desconfiam discorrendo. Terra de injustiça.”
Em seu diálogo com o delegado ele diz que há coisas que todos desconhecem, pois o cego encontrava-se escondido com uma mulher, que não tinha, assim, uma aparência tão formosa: “as coisas começam deveras é por detrás do que há, recurso: quando no remate acontecem, estão já desaparecidas.” E pelo fato do delegado não lhe Ter perguntado nada, diz que vai lhe contar o que se sucedera. Começa narrando o seu relacionamento com seô Tomé, e como ele era desejados pelas mulheres. E o cego, sem ver, pedia para que ele – que ao contrário do cego, era feio e pouco desejado - descrevia a formosura das mulheres que a ele desejavam. Um fato interessante é que ambos (o cego e o guia) se invejavam. O guia, para suprir esta falta bebia: “Bebo, para impor em mim amôres dos outros.” E quando o guia se embriagava, o cego tinha de esperá-lo: “Bebo. Tomo até me apagar, vejo outras coisas. Ele carecia de esperar...”
Em um certo dia eles chegam ao vilarejo e logo essa mulher, a Sa Justa, vai pedir ao guia que descreva ela, que era “muito feia”, como uma mulher formoso para o cego, a mais formosa de todas. Diante de tais descrições, o cego logo se apaixona e passa a encontrar-se, às escondidas, com a mulher. Ela, era casada, contudo seu marido desgostava dela. “O marido desgostava dela, druxo homem, de estrambolias, nem vinha em casa..”. Mas era preciso cautela. Assim a cada novo encontro a mulher pedia ao guia que descrevesse malucas belezas. De observar o quanto a mulher ficava com o guia o cego começou a se inciumar. O marido da mulher, que com o guia bebia e já deveria Ter consciência do caso, a toda hora queria o dinheiro da sacola, que era arrecadado pelo cego. Esmolas.
Até que uma certa noite, o cego cai de um precipício, e todos acham que o guia é culpado. Ele, que se embriagara na noite do incidente diz que: “Seô Tomé, no derradeiro, variava: falando que voltara a enxergar.” Assim ele elenca algumas suposições sobre o autor do crime, se assassinato ou o caso de suicídio, pois se o cego realmente tivesse, realmente, voltado a enxergar, avistaria toda a feiura de Justa, pode Ter se desiludido de tal forma e se jogado. Já no caso de assassinato, o primeiro a ser sugerido seria o esposo, que desgostoso com a traição ou até mesmo para roubar a sacola com as esmolas, empurrara o cego ladeira abaixo. Ainda sugere a própria mulher, após Ter tomado consciência de que o cego voltara a enxergar, o empurrara para não ver o assombro de seus traços. Ele acaba dizendo ao delegado que vai para a cidade somente se for para voltar a guiar cegos.
Elaborado por Francisco Muriel. (análise apresentada à discplina de LIteratura Brasileira III, no curso de linceitura em Letras Vernáculas e Clássicas da Uel-Londrina)
O mistério no “Auto da Mofina Mendes” de Gil Vicente.
Para se começar a análise deste auto, é mister que primeiro salientemos sobre a troca de nome ocorrida com esta peça. Já sabemos, através de seu prólogo, que foi representada ao, então, príncipe D. João III e sua côrte de nobres cristão nas matinas (missas rezadas no período matutino) no natal do ano de 1534 (Cabe salientar aqui também que este será um dos últimos autos representado pelo autor em vida). Os atos são introduzidos por um Frade que parafraseia – toma uma estrutura para transformá-la ou modificá-la – um “Sermão Escolástico” com comicidade e uma certa dose de crítica e nele é anunciado que se trata de um “mistério”:
“(...) Mandaram-me aqui subir
(...) para aqui introduzir
(...) A qual obra é camada
os mistério da virgem (...)”
Este, então, foi o nome dado por Gil Vicente à peça. “Mistério” por apresentar episódios da Bíblia e “da virgem” por representar os episódios da Virgem Maria, mãe de Jesus. Porém, o nome que ficou fixado na memória dos espectadores foi o de Mofina Mendes, pastora que é responsável por um episódio que intercalam os dois mistérios da peça e que divertiu o público ao descrever como morreu ou dispersou-se todo o rebanho de seu patrão (PAIO), com uma linguagem popular e despojada, o que é denominado por críticos como “Linguagem Baixa” . É adicionado a classificação de auto, quando queriam remeter-se a peça após sua representação, pois na Idade Média, a os primeiros teatros foram religiosos e assim ficou conhecida como “O Auto de Mofina Mendes”.
Como já ficou dito, mistério são peças que representam episódio bíblicos e neste serão narrados episódios do evangelho. Em seu inicio, nota-se o discursos eloqüente do frade que introduz as figuras que hão de vir com todos os seus aparatos (a Virgem e suas quatros criadas: a Prudência, a Pobreza, a Humildade e a Fé). Assim já podemos notar que o assunto tratado será referente ao nascimento do Messias.
A Anunciação: esse ato começa com a virgem vestida de rainha e acompanhada de suas quatro criadas que personificam suas virtudes, tendo em suas frentes “quatro anjos com músicas”. Suas criadas possuem, cada qual, um livro, símbolo da sabedoria e a virgem perguntam a elas o que lêem. A primeira a responder é a Prudência que conta para Maria uma profecia sobre a vinda de um “um deus que será humano”, e quem faz essa profecia é a Sibila Ciméria.
Convém aqui, abrir um parágrafo especial para tratar das Sibilas que eram, desde a Antiguidade, fonte de inspiração de muitas obras literárias por seu dom de preverem os acontecimentos e profetizarem sobre elas. O nome Sibila significa uma voz ou uma condição.
Voltemos a profecia da Sibila Ciméria que em uma escala de dozes Sibilas ocupava o quinto lugar e a quem é atribuída a responsabilidade de ser ama de leite de Jesus. Ela prevê que a progenitora do Messias seria uma virgem sem pecado. A Pobreza é a segunda a ler outra profecia sobre a vinda do salvador, esta será profetizada pela Sibila Erutea Profetiza, uma das mais velhas das Sibilas que previu aos gregos sua vitória sobre os troianos, graças à seu Dom de conhecer o passado e futuro. Ela diz que o Messias nascerá “sem cueiro e sem camisa”. Logo é a vez da Humildade ler a profecia que Isaias faz, ressaltando a virgindade da mãe do messias, sendo seguida pela Fé que cita um profecia da Sibila Cassandra, filha de Príamos, rei de Tróia, que segundo a mitologia teria negado a deitar-se com Zeus, em troco do dom profético e como castigo recebeu esse dom somente para prever a sua ruína, junto com a do reino de seu pai. Também previu o nascimento de Jesus ao imperador romano César Augusto, mostrando-lhe uma visualização da virgem e o menino em luz e glória e sua profecia é justamente essa visualização que fez com que Imperador mandasse executar todas as crianças nascidas naquele tempo.
Segue-se vários discursos acerca das profecias sobre o nascimento de Jesus lidas pelas virtudes da Virgem que citam, Jacó, Salomão, Noé, Arão, entre outros, e a virgem, apesar das características narradas, não se identifica como a escolhida, o que ocorrerá apenas com a vinda do Anjo Gabriel que fará a anunciação, embora, inicialmente, ela renegue essa possibilidade, o anjo auxiliado pelas próprias virtudes da Virgem vencem sua resistência e ela entrega-se ao seu destino.
Após a anunciação, segue-se um episódio com a finalidade de divertir e descontrair o público que deveria já estar tenso e enfadado de um tema tão sério e respeitoso. O Episódio da pastora desastrada que perdera todo o rebanho de seu patrão, era carregado do Cômico e do Satírico. Então a platéia se divertia com a linguagem baixa da pastora e ao mesmo tempo preparava-se para um novo tema sério: O Nascimento de Messias.
A Contemplação ao Nascimento de Jesus: a virgem faz um discurso sobre a chegada do menino Jesus e o cumprimento do verbo, enquanto José e a Fé, sua criada, procuram uma candeia para iluminar a manjedoura onde nascerá o messias, e embora achem, essa não produz luz. Enquanto isso Maria conversa com suas virtudes até que ouve-se o choro da criança. Após o nascimentos o Anjo aparece aos pastores se anuncia o nascimento do salvador pedindo-lhes que vão até a manjedoura contemplar e saudar o messias.
Para encerrar esta análise, ressaltaremos como o autor tornou visível o invisível, mostrando-nos a conversa da virgem com sua consciência, quadruplicada nas pessoas da Prudência, Pobreza, Humildade e Fé.
Elaboração: Francisco Muriel. (trabalho apresentado à disciplina Literatura Pòrtuguesa III do Curso de Lincenciatura em Letras Vernáculas e clássicas -UEL.Londrina)
“(...) Mandaram-me aqui subir
(...) para aqui introduzir
(...) A qual obra é camada
os mistério da virgem (...)”
Este, então, foi o nome dado por Gil Vicente à peça. “Mistério” por apresentar episódios da Bíblia e “da virgem” por representar os episódios da Virgem Maria, mãe de Jesus. Porém, o nome que ficou fixado na memória dos espectadores foi o de Mofina Mendes, pastora que é responsável por um episódio que intercalam os dois mistérios da peça e que divertiu o público ao descrever como morreu ou dispersou-se todo o rebanho de seu patrão (PAIO), com uma linguagem popular e despojada, o que é denominado por críticos como “Linguagem Baixa” . É adicionado a classificação de auto, quando queriam remeter-se a peça após sua representação, pois na Idade Média, a os primeiros teatros foram religiosos e assim ficou conhecida como “O Auto de Mofina Mendes”.
Como já ficou dito, mistério são peças que representam episódio bíblicos e neste serão narrados episódios do evangelho. Em seu inicio, nota-se o discursos eloqüente do frade que introduz as figuras que hão de vir com todos os seus aparatos (a Virgem e suas quatros criadas: a Prudência, a Pobreza, a Humildade e a Fé). Assim já podemos notar que o assunto tratado será referente ao nascimento do Messias.
A Anunciação: esse ato começa com a virgem vestida de rainha e acompanhada de suas quatro criadas que personificam suas virtudes, tendo em suas frentes “quatro anjos com músicas”. Suas criadas possuem, cada qual, um livro, símbolo da sabedoria e a virgem perguntam a elas o que lêem. A primeira a responder é a Prudência que conta para Maria uma profecia sobre a vinda de um “um deus que será humano”, e quem faz essa profecia é a Sibila Ciméria.
Convém aqui, abrir um parágrafo especial para tratar das Sibilas que eram, desde a Antiguidade, fonte de inspiração de muitas obras literárias por seu dom de preverem os acontecimentos e profetizarem sobre elas. O nome Sibila significa uma voz ou uma condição.
Voltemos a profecia da Sibila Ciméria que em uma escala de dozes Sibilas ocupava o quinto lugar e a quem é atribuída a responsabilidade de ser ama de leite de Jesus. Ela prevê que a progenitora do Messias seria uma virgem sem pecado. A Pobreza é a segunda a ler outra profecia sobre a vinda do salvador, esta será profetizada pela Sibila Erutea Profetiza, uma das mais velhas das Sibilas que previu aos gregos sua vitória sobre os troianos, graças à seu Dom de conhecer o passado e futuro. Ela diz que o Messias nascerá “sem cueiro e sem camisa”. Logo é a vez da Humildade ler a profecia que Isaias faz, ressaltando a virgindade da mãe do messias, sendo seguida pela Fé que cita um profecia da Sibila Cassandra, filha de Príamos, rei de Tróia, que segundo a mitologia teria negado a deitar-se com Zeus, em troco do dom profético e como castigo recebeu esse dom somente para prever a sua ruína, junto com a do reino de seu pai. Também previu o nascimento de Jesus ao imperador romano César Augusto, mostrando-lhe uma visualização da virgem e o menino em luz e glória e sua profecia é justamente essa visualização que fez com que Imperador mandasse executar todas as crianças nascidas naquele tempo.
Segue-se vários discursos acerca das profecias sobre o nascimento de Jesus lidas pelas virtudes da Virgem que citam, Jacó, Salomão, Noé, Arão, entre outros, e a virgem, apesar das características narradas, não se identifica como a escolhida, o que ocorrerá apenas com a vinda do Anjo Gabriel que fará a anunciação, embora, inicialmente, ela renegue essa possibilidade, o anjo auxiliado pelas próprias virtudes da Virgem vencem sua resistência e ela entrega-se ao seu destino.
Após a anunciação, segue-se um episódio com a finalidade de divertir e descontrair o público que deveria já estar tenso e enfadado de um tema tão sério e respeitoso. O Episódio da pastora desastrada que perdera todo o rebanho de seu patrão, era carregado do Cômico e do Satírico. Então a platéia se divertia com a linguagem baixa da pastora e ao mesmo tempo preparava-se para um novo tema sério: O Nascimento de Messias.
A Contemplação ao Nascimento de Jesus: a virgem faz um discurso sobre a chegada do menino Jesus e o cumprimento do verbo, enquanto José e a Fé, sua criada, procuram uma candeia para iluminar a manjedoura onde nascerá o messias, e embora achem, essa não produz luz. Enquanto isso Maria conversa com suas virtudes até que ouve-se o choro da criança. Após o nascimentos o Anjo aparece aos pastores se anuncia o nascimento do salvador pedindo-lhes que vão até a manjedoura contemplar e saudar o messias.
Para encerrar esta análise, ressaltaremos como o autor tornou visível o invisível, mostrando-nos a conversa da virgem com sua consciência, quadruplicada nas pessoas da Prudência, Pobreza, Humildade e Fé.
Elaboração: Francisco Muriel. (trabalho apresentado à disciplina Literatura Pòrtuguesa III do Curso de Lincenciatura em Letras Vernáculas e clássicas -UEL.Londrina)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Bacana (elogio ou ofensa?)
é comum, principalmente entre os jovens, a utilização da palavra bacana. normalmente usa-se tal palavra para adjetivar um substantivo como bom, excelente, belo, "maneiro" e "massa"(Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa). No entanto, se buscarmos suas origens, veremos que esse adjetivo tem um significado depreciativo e ao chamar sua namorada de bacana, não é muito aconselhado. trata-se de uma palavra, como a maioria, de origem latina [do genitivo bacan, bacamo] e é da mesma famíla de "Baco" (deus do vinho, das orgias e das orgias) e significa bêbada, escandalosamente alegre em função da embriaguês.
São da mesma linha os vocábulos Bacante ( mulher deicadas às orgias) e Bacanal (festa caracterizada pela bebedeira).
É ainda, atualmente, usada Substantivado, como gíria para designar alguém bem sucedido materialmente ou grã-fino.
Por: Francisco Muriel
São da mesma linha os vocábulos Bacante ( mulher deicadas às orgias) e Bacanal (festa caracterizada pela bebedeira).
É ainda, atualmente, usada Substantivado, como gíria para designar alguém bem sucedido materialmente ou grã-fino.
Por: Francisco Muriel
Impecilho ou Empecilho?
pode não parecer, porém é comum o muitas pessoas escreverem esta palavra erroneamente, utilizando impecilho, ao invés de empecilho. isso se deve, pois, erram também ao pronunciar tal palavra, provavelmente por associarem essa palavra ao verbo impedir. o correto, então, é empecilho da mesma família de empeçar=estorvar, embaraçar.
Eminente ou Iminente?
usa-se eminente quando significar elevado, nobre, sublime.
* lembre-se do pronome de tratamento: Vossa Eminência.
Exemplo: o eminente líder apresentou suas teses.
já iminente é usado quando significar próximo, imendiato.
exemplo: a CPI é iminente.
o perigo parecia iminente
* lembre-se do pronome de tratamento: Vossa Eminência.
Exemplo: o eminente líder apresentou suas teses.
já iminente é usado quando significar próximo, imendiato.
exemplo: a CPI é iminente.
o perigo parecia iminente
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Ascender ou acender?
usa-se ascender (com sc) quando significar subir
exemplo: o elevador ascendeu rapidamente.
o ascender do balão causou a todos apreensão.
usa-se acender (com c) quando significar pôr fogo ou incendiar.
exemplo: joão acendeu a lareireira
papai temperava a carne enquanto titio acendia o fogo.
By Francisco Muriel
exemplo: o elevador ascendeu rapidamente.
o ascender do balão causou a todos apreensão.
usa-se acender (com c) quando significar pôr fogo ou incendiar.
exemplo: joão acendeu a lareireira
papai temperava a carne enquanto titio acendia o fogo.
By Francisco Muriel
terça-feira, 12 de maio de 2009
principais mudanças da língua portuguesa após o novo acordo ortográfico
Alfabeto
• Nova Regra: O alfabeto agora é formado por 26 letras
• Regra Antiga: O 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto.
• Como Será: Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
Trema
• Nova Regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano
• Regra Antiga: agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça
• Como Será: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.
Acentuação
• Nova Regra: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas
• Regra Antiga: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico
• Como Será: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
Observações:
• nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
• o acento no ditongo aberto 'eu' continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
• Nova Regra: O hiato 'oo' não é mais acentuado
• Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo
• Como Será: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
• Nova Regra: O hiato 'ee' não é mais acentuado
• Regra Antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem
• Como Será: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem
• Nova Regra: Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas
• Regra Antiga: pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo)
• Como Será: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Observação:
• o acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da preposição 'por'
• Nova Regra: Não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui, qui)
• Regra Antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe
• Como Será: argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique
• Nova Regra: Não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
• Regra Antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme
• Como Será: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume
Hífen
• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas
• Regra Antiga: ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível
• Como Será: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
Observação:
• em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal
• Regra Antiga: auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado
• Como Será: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Observações:
• esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
• esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
• Nova Regra: Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
• Regra Antiga: antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico
• Como Será: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
Observações:
• esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
• uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO utliza-se hífen.
• Nova Regra: Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição
• Regra Antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento
• Como Será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento
Observação:
• o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
O uso do hífen permanece
• Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto': ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
• Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-americano, circum-navegação
• Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
• Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem': além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto
Não existe mais hífen
• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.
• Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.
Consoantes não pronunciadas
Fora do Brasil foram eliminadas as consoantes não pronunciadas:
• ação, didático, ótimo, batismo em vez de acção, didáctico, óptimo, baptismo
Grafia Dupla
De forma a contemplar as diferenças fonéticas existentes, aceitam-se duplas grafias em algumas palavras:
• António/Antônio, facto/fato, secção/seção.
Existem algumas controvérsias, tentei trabalhar apenas com aquilo que me pareceu ser senso comum, existe um material bem organizado no IG Educação para quem quiser se aprofundar: Acordo Ortográfico
• Nova Regra: O alfabeto agora é formado por 26 letras
• Regra Antiga: O 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto.
• Como Será: Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
Trema
• Nova Regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano
• Regra Antiga: agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça
• Como Será: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.
Acentuação
• Nova Regra: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas
• Regra Antiga: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico
• Como Será: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
Observações:
• nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
• o acento no ditongo aberto 'eu' continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
• Nova Regra: O hiato 'oo' não é mais acentuado
• Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo
• Como Será: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
• Nova Regra: O hiato 'ee' não é mais acentuado
• Regra Antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem
• Como Será: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem
• Nova Regra: Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas
• Regra Antiga: pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo)
• Como Será: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Observação:
• o acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da preposição 'por'
• Nova Regra: Não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui, qui)
• Regra Antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe
• Como Será: argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique
• Nova Regra: Não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
• Regra Antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme
• Como Será: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume
Hífen
• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas
• Regra Antiga: ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível
• Como Será: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
Observação:
• em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal
• Regra Antiga: auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado
• Como Será: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Observações:
• esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
• esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
• Nova Regra: Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
• Regra Antiga: antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico
• Como Será: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
Observações:
• esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
• uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO utliza-se hífen.
• Nova Regra: Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição
• Regra Antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento
• Como Será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento
Observação:
• o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
O uso do hífen permanece
• Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto': ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
• Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-americano, circum-navegação
• Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
• Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem': além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto
Não existe mais hífen
• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.
• Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.
Consoantes não pronunciadas
Fora do Brasil foram eliminadas as consoantes não pronunciadas:
• ação, didático, ótimo, batismo em vez de acção, didáctico, óptimo, baptismo
Grafia Dupla
De forma a contemplar as diferenças fonéticas existentes, aceitam-se duplas grafias em algumas palavras:
• António/Antônio, facto/fato, secção/seção.
Existem algumas controvérsias, tentei trabalhar apenas com aquilo que me pareceu ser senso comum, existe um material bem organizado no IG Educação para quem quiser se aprofundar: Acordo Ortográfico
domingo, 10 de agosto de 2008
Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar- Salvador Dali

A pintura retrata uma mulher (a mulher de Dali, Gala), enquanto dorme numas rochas flutuando sobre o mar a apanhar sol durante um dia calmo. Um elefante com pernas incrivelmente longas e extremamente finas passa pelo horizonte do mar, transportando um topo de uma montanha. Perto da mulher flutuam duas gotas de água e uma pequena romã. A partir de uma romã maior vem um peixe que “cospe” um tigre de onde vem um outro tigre, enquanto na frente de esse existe uma espingarda apontada à mulher. O segundo tigre demonstra várias diferenças do primeiro, diferentes garras, e sem bigodes. Salvador Dali neste quadro tenta explorar o mundo dos sonhos, a espingarda podendo representar a picadela da abelha e o acordar da mulher bastante repentino, o elefante poderá ser a visão bastante retorcida de uma famosa escultura situada em Roma, a romã mais pequena poderá simbolizar Vénus especialmente pela sombra em forma de coração, o simbolismo da mulher poderá ser a da fertilidade/sensualidade que contrasta com as criaturas. Pode-se também interpretar esta pintura como uma ilustração a teoria da evolução.
O Grito (Edvard Munch)

O Grito (no original Skrik) é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.
Noite Estrelada

A Noite Estrelada é uma das mais conhecidas pinturas do artista holandês pós-impressionista Vincent van Gogh. Foi criada por van Gogh aos 37 anos, enquanto esteve em um asilo em Saint-Rémy-de-Provence (1889-1890). A obra atualmente encontra-se na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Ao contrário de muitas outras de suas obras, A Noite Estrelada foi pintada de memória e não a partir da vista correspondente de uma paisagem, como de costume. Acredita-se que este é o motivo pelo qual ele causa um impacto ao espectador[carece de fontes?].
Durante sua estadia no asilo, van Gogh se dedicou a pintar sobre todas as paisagens da região de Provence. É nesse período que ele rompeu com o que se poderia chamar de uma fase impressionista, desenvolvendo um estilo muito particular, no qual prevalecem fortes cores primárias, tais como o amarelo, para as quais van Gogh atribui significados próprios.
A pintura foi a inspiração para a canção de Don McLean, Vincent, que é também conhecida como Starry, Starry Night ("Estrelada, Noite Estrelada").
sábado, 9 de agosto de 2008
Estrela da vida inteira - Manuel Bandeira
A Obra
A posição entre uma natureza apaixonada que aspirava a plenitude, e o exílio em que a doença o obrigara a viver, marcaram profundamente a sua sensibilidade, traduzindo-se, no plano estrutural, pelo gosto das antíteses, dos paradoxos, nos contrastes violentos; no plano emocional, por um movimento polar, uma oscilação constante que, no decorrer da obra, vai alternar a atitude de serenidade melancólica e o sentimento de revolta impotente.
(Gilda e Antonio Cândido de Mello e Souza - Introdução in Estrela da vida inteira)
Pasárgada: a poesia das coisas mais simples
Quando Manuel Bandeira morreu, em outubro de 1968, um jornal dedicou-lhe a manchete Bandeira, enfim, Pasárgada! em referência ao seu mais conhecido poema - Vou-me embora pra Pasárgada. Neste poema o poeta evoca a vida que poderia ter sido e que não foi, uma espécie de paraíso pessoal, lugar de sonhos e de desejos, em que ele poderia realizar as felicidades mais simples, como andar em burro bravo, subir em pau-de-sebo, andar de bicicleta, tomar banho de mar...
A enumeração, neste lugar ideal, de fantasias tão simples e despojadas já revela um dado biográfico que se transformará em fonte de muitos temas da poesia de Bandeira: a presença da morte, anunciada em plena adolescência, sob a forma de uma tuberculose, doença mortal na época (início do século XX). (...) fui vivendo, morre-não-morre, e, em 1914, o doutor Bodner, médico-chefe do Sanatório de Clavadel, tentando-lhe eu perguntado quantos anos me restariam de vida, me respondeu assim: o senhor tem lesões teoricamente incompatíveis com a vida: no entanto, está sem bacilos, come bem, dorme bem, não apresenta em suma nenhuma sintoma alarmante. Pode viver cinco, dez, quinze anos...
Quem poderá dizer? Continuei esperando a morte para qualquer momento, vivendo sempre como que provisoriamente. (Manuel Bandeira - Itinerário de Pasárgada)
A permanente consciência da morte, a luta contra ela, a convivência com sua presença - fazedoras de ausências - transformam-se poeticamente numa descoberta essencial de vida, numa valorização intensa da existência mais cotidiana, redescoberta como única, irrepetível, insubstituível.
Não é possível separar a experiência de vida da experiência poética do autor de Pasárgada, embora sua poesia - de uma universalidade intensa, ardente e simples - não possa ser reduzida a acontecimentos biográficos, que se revelam matrizes de imagens, de emoções, de ritmos, transfigurados na alquimia da criação.
O critico Alfredo Bosi, em sua História concisa da literatura brasileira, escreve: (...) veremos que a presença do biográfico é ainda poderosa mesmos nos livros de inspiração absolutamente moderna, como Libertinagem, núcleo daquele seu não-me-importismo irônico, e, no fundo, melancólico, que lhe deu uma fisionomia tão cara aos leitores jovens desde 1930.
O adolescente mau curado da tuberculose persiste no adulto solitário que olha de longe o carnaval da vida e de tudo faz matéria para os ritmos livres do seu obrigado distanciamento.
A sua obra, escrita ao longo de mais de meio século, atravessa praticamente toda a história do Modernismo no Brasil e apresenta muitos dos mais expressivos livros da poesia moderna, como Ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da manhã e outros.
Estrela da vida inteira / Da vida que poderia / Ter sido e não foi. Poesia, / Minha vida verdadeira.
Nascido na Recife, em 1886, tendo passado a infância principalmente no Rio e no próprio Recife, Manuel Bandeira publica seu primeiro livro de poema em 1917 - A cinza das horas, que será seguido por Carnaval, em 1919, em que apresenta pela primeira vez, versos livres na literatura brasileira. Conhece Mario de Andrade e os modernistas paulistas em 1921.
Não participa diretamente da Semana de Arte Moderna de 1922, mas o seu poema Os sapos, paródia contundente dos parnasianos, provoca um dos momentos de maior escândalo, ao ser lido por Ronald de Carvalho, no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 15 de fevereiro: o de maior polemica de toda a Semana.
A partir de então, não é possível pensar a poesia moderna no Brasil sem a presença de Bandeira, que atravessará todas as chamadas fases do Modernismo, com uma produção poética de mais alto nível. Já na fase heróica, de 1922, em que a ruptura com o passado e com as estruturas estabelecidas era a mais vital palavra de ordem, Mário de Andrade chamava o poeta de S. João Batista do Modernismo, reconhecendo o seu papel de anunciador da nova poesia.
Aos poemas de Bandeira nascem e crescem dos acontecimentos mais cotidianos, mais comuns, dos momentos que aparentemente são banais e insignificantes. Do dia-a-dia mia desapercebido desentranha sua poesia, em que instantes da existência aparecem transfigurados em pura essencialidade da vida.
Detalhes prosaicos e perdidos na rotina descolorida dos dias revelam-se instantes de iluminação, instantes de transcendência e de proximidade da essência mais profunda - e mais simples - da vida. O grande milagre da existência, a mais cotidiana, que a consciência da morte revelará como algo intenso, único, irrepetível.
Sua linguagem coloquial e, despojada, atinge algum dos momentos mais expressivos da língua: grande intensidade, grande condensação, com imensa simplicidade. Ao lado de Carlos Drummond, Bandeira é o grande incorporador do prosaico e do coloquial na poesia brasileira moderna.
... a poesia está em tudo - tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatas.
Uma poética de iluminações da existência cotidiana, com a mais expressiva coloquialmente, e com intensa condensação de imagens e ritmos, a obra de Bandeira lembra muitas vezes a criação poética dos haicais japoneses, em que se flagram instante de plenitude, de frágil e plena percepção da vida, concentrada em um detalhe aparentemente banal.
Ao mesmo tempo, em unidade indissociável, a obra de Bandeira representa a mais longa convivência com a morte, de toda a poesia brasileira. Sem ser dominado pelo desespero, sem ser possuído pelo medo, sem dramatizações retóricas. Com amadurecida amargura.
Com ironia e auto-ironia, melancólicas. Com sofrida serenidade. Com nostalgia da vida que poderia ter sido e que não foi e nem será.
Até mesmo com ternura pela morte, companhia constante de muitos anos, interlocutora secreta que, paradoxalmente, revela o valor absoluto de cada dia, de cada pessoa, de cada coisa. A sabedoria da morte - quando se descobre que não apenas os outros morrem - transformou-se, como em muitas correntes filosóficas, em sabedoria de vida. A importância da existência, de cada um: simples, essencial, passageira. Milagre. E a morte, também milagre.
Bandeira é poeta da mais intensa ternura. De ardor terno e intenso pela vida. Uma sensibilidade moderna, não grandiloqüente. Ternura melancólica pela infância perdida, e por seus personagens. Ternura ardente pelo corpo. A sua poesia amorosa revela-se como ardente lírica erótica.
Poesia do corpo, de grande intensidade. Os corpos se estendem, as almas não. Imagens eróticas que se tornam experiências sagradas, transcendentalizadas, tal a naturalidade, o ardor e a intensidade da ternura. O físico se funde com o onírico, terna e desconcertantemente.
Além disso, revela-se um dos mais versáteis e flexíveis fazedores de versos do modernismo brasileiro. Suas estruturas de métrica e de ritmo vão desde as mais libertárias experiências de verso livre, dos fluxos mais soltos e irregulares até as estruturas mais tradicionais, de verso em redondilhas da lírica medieval, dos versos decassílabos clássicos e neoclássico e outros combinados com variadas formas fixas de estrófica regular, com sonetos, canções etc.
Um fazedor de versos e estrofes extremamente versátil, com raro domínio técnico e com grande erudição, capaz de traduzir de varias línguas e de escrever à moda de, imitando estilos os mais diversos, da época e autores.
Manuel Bandeira é também expressivo criador de imagens, com igual e desconcertante simplicidade. Nas constelações de imagens dos seus poemas percebemos um movimento oposto e complementar: por um lado, o cotidiano parece transfigurado, instante de iluminação, com aura de símbolo transcendente, e, por outro lado, o desconhecido, o misterioso, o onírico aparecem configurados familiarmente, tornados próximos e confidentes, tornados íntimos do dia-a-dia.
Morto a mais de vinte anos, Bandeira continua se revelando como o mais simples e mais despojado dos poetas do Modernismo brasileiro, como o poeta capaz de simplicidade mais essencial e mais expressiva.
Disponível em:http://www.mundovestibular.com.br/articles/444/1/ESTRELA-DA-VIDA-INTEIRA---Manuel-Bandeira-Resumo/Paacutegina1.html acessado em julho de 2008.
A posição entre uma natureza apaixonada que aspirava a plenitude, e o exílio em que a doença o obrigara a viver, marcaram profundamente a sua sensibilidade, traduzindo-se, no plano estrutural, pelo gosto das antíteses, dos paradoxos, nos contrastes violentos; no plano emocional, por um movimento polar, uma oscilação constante que, no decorrer da obra, vai alternar a atitude de serenidade melancólica e o sentimento de revolta impotente.
(Gilda e Antonio Cândido de Mello e Souza - Introdução in Estrela da vida inteira)
Pasárgada: a poesia das coisas mais simples
Quando Manuel Bandeira morreu, em outubro de 1968, um jornal dedicou-lhe a manchete Bandeira, enfim, Pasárgada! em referência ao seu mais conhecido poema - Vou-me embora pra Pasárgada. Neste poema o poeta evoca a vida que poderia ter sido e que não foi, uma espécie de paraíso pessoal, lugar de sonhos e de desejos, em que ele poderia realizar as felicidades mais simples, como andar em burro bravo, subir em pau-de-sebo, andar de bicicleta, tomar banho de mar...
A enumeração, neste lugar ideal, de fantasias tão simples e despojadas já revela um dado biográfico que se transformará em fonte de muitos temas da poesia de Bandeira: a presença da morte, anunciada em plena adolescência, sob a forma de uma tuberculose, doença mortal na época (início do século XX). (...) fui vivendo, morre-não-morre, e, em 1914, o doutor Bodner, médico-chefe do Sanatório de Clavadel, tentando-lhe eu perguntado quantos anos me restariam de vida, me respondeu assim: o senhor tem lesões teoricamente incompatíveis com a vida: no entanto, está sem bacilos, come bem, dorme bem, não apresenta em suma nenhuma sintoma alarmante. Pode viver cinco, dez, quinze anos...
Quem poderá dizer? Continuei esperando a morte para qualquer momento, vivendo sempre como que provisoriamente. (Manuel Bandeira - Itinerário de Pasárgada)
A permanente consciência da morte, a luta contra ela, a convivência com sua presença - fazedoras de ausências - transformam-se poeticamente numa descoberta essencial de vida, numa valorização intensa da existência mais cotidiana, redescoberta como única, irrepetível, insubstituível.
Não é possível separar a experiência de vida da experiência poética do autor de Pasárgada, embora sua poesia - de uma universalidade intensa, ardente e simples - não possa ser reduzida a acontecimentos biográficos, que se revelam matrizes de imagens, de emoções, de ritmos, transfigurados na alquimia da criação.
O critico Alfredo Bosi, em sua História concisa da literatura brasileira, escreve: (...) veremos que a presença do biográfico é ainda poderosa mesmos nos livros de inspiração absolutamente moderna, como Libertinagem, núcleo daquele seu não-me-importismo irônico, e, no fundo, melancólico, que lhe deu uma fisionomia tão cara aos leitores jovens desde 1930.
O adolescente mau curado da tuberculose persiste no adulto solitário que olha de longe o carnaval da vida e de tudo faz matéria para os ritmos livres do seu obrigado distanciamento.
A sua obra, escrita ao longo de mais de meio século, atravessa praticamente toda a história do Modernismo no Brasil e apresenta muitos dos mais expressivos livros da poesia moderna, como Ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da manhã e outros.
Estrela da vida inteira / Da vida que poderia / Ter sido e não foi. Poesia, / Minha vida verdadeira.
Nascido na Recife, em 1886, tendo passado a infância principalmente no Rio e no próprio Recife, Manuel Bandeira publica seu primeiro livro de poema em 1917 - A cinza das horas, que será seguido por Carnaval, em 1919, em que apresenta pela primeira vez, versos livres na literatura brasileira. Conhece Mario de Andrade e os modernistas paulistas em 1921.
Não participa diretamente da Semana de Arte Moderna de 1922, mas o seu poema Os sapos, paródia contundente dos parnasianos, provoca um dos momentos de maior escândalo, ao ser lido por Ronald de Carvalho, no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 15 de fevereiro: o de maior polemica de toda a Semana.
A partir de então, não é possível pensar a poesia moderna no Brasil sem a presença de Bandeira, que atravessará todas as chamadas fases do Modernismo, com uma produção poética de mais alto nível. Já na fase heróica, de 1922, em que a ruptura com o passado e com as estruturas estabelecidas era a mais vital palavra de ordem, Mário de Andrade chamava o poeta de S. João Batista do Modernismo, reconhecendo o seu papel de anunciador da nova poesia.
Aos poemas de Bandeira nascem e crescem dos acontecimentos mais cotidianos, mais comuns, dos momentos que aparentemente são banais e insignificantes. Do dia-a-dia mia desapercebido desentranha sua poesia, em que instantes da existência aparecem transfigurados em pura essencialidade da vida.
Detalhes prosaicos e perdidos na rotina descolorida dos dias revelam-se instantes de iluminação, instantes de transcendência e de proximidade da essência mais profunda - e mais simples - da vida. O grande milagre da existência, a mais cotidiana, que a consciência da morte revelará como algo intenso, único, irrepetível.
Sua linguagem coloquial e, despojada, atinge algum dos momentos mais expressivos da língua: grande intensidade, grande condensação, com imensa simplicidade. Ao lado de Carlos Drummond, Bandeira é o grande incorporador do prosaico e do coloquial na poesia brasileira moderna.
... a poesia está em tudo - tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatas.
Uma poética de iluminações da existência cotidiana, com a mais expressiva coloquialmente, e com intensa condensação de imagens e ritmos, a obra de Bandeira lembra muitas vezes a criação poética dos haicais japoneses, em que se flagram instante de plenitude, de frágil e plena percepção da vida, concentrada em um detalhe aparentemente banal.
Ao mesmo tempo, em unidade indissociável, a obra de Bandeira representa a mais longa convivência com a morte, de toda a poesia brasileira. Sem ser dominado pelo desespero, sem ser possuído pelo medo, sem dramatizações retóricas. Com amadurecida amargura.
Com ironia e auto-ironia, melancólicas. Com sofrida serenidade. Com nostalgia da vida que poderia ter sido e que não foi e nem será.
Até mesmo com ternura pela morte, companhia constante de muitos anos, interlocutora secreta que, paradoxalmente, revela o valor absoluto de cada dia, de cada pessoa, de cada coisa. A sabedoria da morte - quando se descobre que não apenas os outros morrem - transformou-se, como em muitas correntes filosóficas, em sabedoria de vida. A importância da existência, de cada um: simples, essencial, passageira. Milagre. E a morte, também milagre.
Bandeira é poeta da mais intensa ternura. De ardor terno e intenso pela vida. Uma sensibilidade moderna, não grandiloqüente. Ternura melancólica pela infância perdida, e por seus personagens. Ternura ardente pelo corpo. A sua poesia amorosa revela-se como ardente lírica erótica.
Poesia do corpo, de grande intensidade. Os corpos se estendem, as almas não. Imagens eróticas que se tornam experiências sagradas, transcendentalizadas, tal a naturalidade, o ardor e a intensidade da ternura. O físico se funde com o onírico, terna e desconcertantemente.
Além disso, revela-se um dos mais versáteis e flexíveis fazedores de versos do modernismo brasileiro. Suas estruturas de métrica e de ritmo vão desde as mais libertárias experiências de verso livre, dos fluxos mais soltos e irregulares até as estruturas mais tradicionais, de verso em redondilhas da lírica medieval, dos versos decassílabos clássicos e neoclássico e outros combinados com variadas formas fixas de estrófica regular, com sonetos, canções etc.
Um fazedor de versos e estrofes extremamente versátil, com raro domínio técnico e com grande erudição, capaz de traduzir de varias línguas e de escrever à moda de, imitando estilos os mais diversos, da época e autores.
Manuel Bandeira é também expressivo criador de imagens, com igual e desconcertante simplicidade. Nas constelações de imagens dos seus poemas percebemos um movimento oposto e complementar: por um lado, o cotidiano parece transfigurado, instante de iluminação, com aura de símbolo transcendente, e, por outro lado, o desconhecido, o misterioso, o onírico aparecem configurados familiarmente, tornados próximos e confidentes, tornados íntimos do dia-a-dia.
Morto a mais de vinte anos, Bandeira continua se revelando como o mais simples e mais despojado dos poetas do Modernismo brasileiro, como o poeta capaz de simplicidade mais essencial e mais expressiva.
Disponível em:http://www.mundovestibular.com.br/articles/444/1/ESTRELA-DA-VIDA-INTEIRA---Manuel-Bandeira-Resumo/Paacutegina1.html acessado em julho de 2008.
resumida biografia de Florbela Espanca
Biografia
Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
FONTES:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/
numerodois/tl3.html
http://purl.pt/272/2/index.html
http://www.torre.xrs.net/
Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret
Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
FONTES:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/
numerodois/tl3.html
http://purl.pt/272/2/index.html
http://www.torre.xrs.net/
Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret
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